segunda-feira, 22 de julho de 2013

TRANSPORTES E TELECOMUNICAÇÕES

TRANSPORTES
A industrialização e a expansão da economia de mercado levam a um maior fluxo de mercadorias e pessoas, o que provoca a necessidade do desenvolvimento dos meios de transportes e do sistema de comunicações. Na atualidade, os principais meios de transporte são o hidroviário, o ferroviário, o rodoviário e o aéreo.
                O transporte hidroviário é aquele realizado nos oceanos, mares, rios e lagos. O transporte marítimo se configura como o mais importante no transporte de mercadorias, pois é partir dele que de distribui a maior parte da produção mundial. Assim, os navios sofreram transformações profundas em função do aumento da tonelagem transportada, principalmente dos produtos mais procurados no mercado global. Dessa forma, surgiram navios especializados no transporte de determinada carga, como os petroleiros e os graneleiros. Também surgiram os grandes navios transoceânicos, que transportam um grande numero de pessoas de um continente para o outro em viagens turísticas. Os navios oferecem grandes vantagens para o transporte de produtos pesados, como também o de longas distâncias em razão do seu baixo custo. Os portos também se modificaram muito, principalmente nos países desenvolvidos, com o aparecimento dos contêineres, várias operações no embarque e desembarque dos produtos foram automatizadas, o que diminuiu a necessidade de mão-de-obra. Ao mesmo tempo a especialização de navios e a tonelagem que carregam permitem separar hoje os complexos portuários mais modernos como o de Roterdã, na Holanda e o de Nova York, nos EUA, dos portos que não tem condições de receber os principais navios da frota internacional.
                A navegação por rios e lagos, que sempre foi importante para os povos, continua importante, principalmente nos países desenvolvidos, apesar do notável desenvolvimento dos demais meios de transporte continentais com a industrialização, principalmente o ferroviário. Em primeiro lugar, porque as inovações da Revolução Industrial se estenderam também à navegação fluvial. Assim, as embarcações passaram a ser movidas a vapor e depois a óleo diesel, o que aumentou muito a velocidade desse meio de transporte. Segundo, porque o transporte fluvial apresenta o mais baixo custo. As hidrovias, assim, tornam-se vantajosas principalmente em pequenas distâncias. Embora a navegação fluvial seja mais favorável em rios de planície, a tecnologia já tornou possível a navegação em rios de planalto. Atualmente as redes hidroviárias mais utilizadas no mundo ocorrem na região dos Grandes Lagos, fronteira entre o Canadá e os EUA e a rede fluvial da Europa Ocidental.
                Apesar de sua enorme riqueza hidroviária, este tipo de transporte no Brasil não é muito desenvolvido. A maior parte do transporte hidroviário no Brasil refere-se à navegação de cabotagem, ou seja, o transporte por navios no mar de um porto a outro. Aliás, os portos, principal via para o comércio externo, geralmente tem custo por tonelada de carga que chegam a ser cinco vezes maiores que os demais portos do mundo. A negligência com o transporte hidroviário é tanta, que na década de 1970, construiu-se a rodovia Transamazônica paralela e relativamente próxima ao rio Amazonas, que é perfeitamente navegável desde o Atlântico até a fronteira com o Peru. A partir do final dos anos 1980, foram elaborados alguns projetos de desenvolvimento da navegação fluvial. Mas apenas na década seguinte, especialmente devido a expansão do Mercosul começou-se a colocar em prática alguns projetos de desenvolvimento da navegação nas bacias do Tietê e Paraná. Em alguns trechos, especialmente no Tietê, isso já é uma realidade, embora, o crescimento seja lento e a participação do transporte fluvial no deslocamento de cargas no Brasil seja insignificante.
                O transporte aéreo permite o deslocamento rápido e seguro de pessoas de um extremo ao outro do planeta. Desempenha também um papel importante no transporte interno de países territorialmente extensos, como por exemplo, o Brasil, EUA, Canadá, China, Rússia e Austrália. Também é utilizado para o transporte de cargas, porém, devido ao seu alto custo não figura entre as principais opções.
                As ferrovias, o transporte por meio de trens, foram um dos maiores avanços tecnológicos e importantes da indústria moderna. As fábricas necessitam de meios de transporte eficientes para garantir o recebimento de grande quantidade de matéria-prima e ao mesmo tempo fazer chegar seus produtos industrializados aos mais diversos pontos de um país e a outros países do mesmo continente. Isso exige um meio de transporte rápido, seguro e capaz de levar grandes cargas. O trem reúne todas essas condições. Por isso, no inicio, as ferrovias tinham um traçado que as dirigiam para os principais portos. Os trens são aparelhados para transportar desde gêneros perecíveis até produtos frágeis, líquidos, diversas matérias-primas e produtos industrializados. Nos países desenvolvidos ele é um dos principais meios de transporte, tanto de carga, como os modernos trens “bala” de passageiros. O continente europeu, por exemplo, pode ser percorrido praticamente de trem. Nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, somente a Rússia, a Índia e China são exceções, apresentando uma densa rede ferroviária.
                No Brasil as ferrovias já tiveram maior importância. Mas a partir da década de 1950 houve um acentuado decréscimo nas ferrovias brasileiras, ou seja, o desativamento de linhas foi maior do que a construção de vias. A grande época do transporte ferroviário brasileiro coincidiu com o cultivo do café, estendendo-se do final do século XIX até meados do século XX. A partir daí o desenvolvimento da indústria automobilística, as ferrovias entraram em crise. Elas continuaram a ser construídas apenas em áreas especificas para o transporte de minérios. Até 1996, o setor ferroviário era operado por uma estatal, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que foi privatizada. Mas o transporte ferroviário no Brasil é praticamente sucateado. Ao contrário de outros países de grande extensão territorial onde é possível viajar de trem, em nosso país isso é impossível. Ficou evidente que com a entrada das multinacionais, principalmente do setor automobilístico, houve uma política de valorização do transporte rodoviário em detrimento do ferroviário, o que tem um custo enorme para o país, pois temos um dos transportes de mercadorias mais caros do mundo.
                No final do século XIX surgiram as modernas rodovias em substituição as antigas estradas de carruagens e cavalos. As rodovias, vias destinadas ao deslocamento de automóveis e caminhões, tornaram-se economicamente tão importantes quanto às ferrovias. Verdadeiras redes rodoviárias foram construídas nos países desenvolvidos, principalmente nos EUA. Isso se deve ao extraordinário desenvolvimento da indústria automobilística, depois da descoberta dos motores a explosão movidos a gasolina. Ao mesmo tempo, as rodovias apareceram quando a gasolina e óleo diesel já eram os dois principais derivados do petróleo. Com o objetivo de possibilitar maior velocidade, proporcionar maior segurança aos passageiros e conseguir maior rapidez nas entregas de produtos feitas por caminhões, as rodovias se modernizaram bastante. Surgiram assim, as autoestradas, com várias pistas, muito bem asfaltadas e sinalizadas. Além de ter possibilitado o deslocamento do grande número de pessoas, através do transporte coletivo, o desenvolvimento das rodovias favoreceu o uso do automóvel, que proporciona grande liberdade de locomoção no espaço. Verificou-se assim, a preferencia pelo uso do caminhão para o transporte de cargas perecíveis e de outros produtos industrializados de elevado preço no mercado como eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis, etc. a rapidez na entrega dos produtos muitas vezes compensa os gastos mais elevados com o transporte rodoviário.
Contudo, no conjunto dos países desenvolvidos, a maior parte do transporte continental de carga continua sendo feita por ferrovia e quando possível por hidrovias. Isso acontece em virtude dos preços mais baixos que esses dois meios de transportes oferecem. Nos países subdesenvolvidos, em muitos casos, as insuficientes redes ferroviárias foram substituídas por redes rodoviárias, apesar de um grande numero deles depender da importação do petróleo. O desenvolvimento das rodovias nesses países pode ser explicado em parte pelas fortes pressões das indústrias automobilísticas multinacionais. A substituição das ferrovias por rodovias, entretanto, trouxe uma consequência ruim para a maioria da população. : o predomínio do transporte individual sobre o coletivo, o que forçou os governos desses países a pavimentarem as estradas já existentes e a construir rodovias modernas e autoestradas. Para isso, empregaram tecnologia mais avançada dos países desenvolvidos, que muitas vezes não era a mais indicada para as condições naturais especificas desses países.  Enquanto as rodovias tiveram prioridade total, as estradas de ferro foram abandonadas. Apesar dos custos elevados, a rede rodoviária passou a transportar a maior parte da carga, o que é um verdadeiro absurdo diante das graves dificuldades econômicas que os países subdesenvolvidos enfrentam.
O transporte rodoviário é cerca de quatro vezes mais caro que o ferroviário e cinco vezes mais caro que o hidroviário. Mesmo assim esse tipo de transporte é predominante no Brasil. A enorme primazia do transporte rodoviário acarreta um excessivo gasto de energia, especialmente petróleo. Além dos maiores custos, em comparação com os demais transportes continentais, o transporte rodoviário causa mais poluição a agrava o congestionamento nas grandes cidades. Além disso, o sistema rodoviário brasileiro é obsoleto exigindo uma reforma urgente para diminuir os custos e melhorar a qualidade. O transporte interno, baseado nas rodovias, é oneroso não só por causa dos maiores custos, mas também pelo precário estado de conservação das estradas. Dados do Ministério dos Transportes mostram que o Brasil possui um total de 1,6 milhão de quilômetros de estradas de rodagem, das quais apenas 160 mil quilômetros (10%) estão pavimentadas. O custo do pavimento é alto e sua qualidade baixíssima: dura em média cinco anos, enquanto nos EUA e na Europa a estimativa é de 20 anos.

TELECOMUNICAÕES
Uma infraestrutura que se tornou importantíssima para o desenvolvimento econômico atual são as telecomunicações: telefones (fixo e celulares), informática, satélites de comunicação, antenas, cabos e redes de comunicações. Com a revolução técnico-cientifica, as telecomunicações tem uma influencia muito maior para a localização das empresas do que os recursos naturais e matérias-primas. Essa renovada importância das telecomunicações ocorre da valorização do conhecimento e da necessidade de informações seguras e instantâneas sobre a economia internacional como o câmbio, os preços, novas tecnologias, sobre o mercado consumidor, fornecedores, etc.; por parte das empresas. Alguns estudiosos chegam até informar que o conhecimento (estratégias, novas ideias e tecnologias) hoje em dia é mais importante do que o capital (dinheiro, equipamentos e propriedades) para um empresa moderna. E o telefone interligado ao computador foi o elemento que mais possibilitou esse maior ganho de conhecimento. Outra consequência do desenvolvimento das telecomunicações e de sua ligação com a informática (chamada telemática) foi o surgimento da “nova economia”, ou seja, o conjunto de empresas de alta tecnologia, em especial nas áreas de informática e telecomunicações, juntamente com todas as empresas que realizam negócios através da Internet. É o chamado comércio eletrônico. Essa revolução nas telecomunicações está mudando a economia e decretando um enfraquecimento de barreiras físicas, isto é, das distâncias, da alfandega e do custo da entrega do produto. A distancia já não tem importância para as compras ou para as venda, pois podem ser feitas on-line e o comércio internacional é o que mais cresce. Com isso, as regiões distantes dos grandes centros urbanos e industrializados ganham novas oportunidades, desde que tenham uma boa infraestrutura de comunicações.

Os países desenvolvidos lideram essa revolução nas telecomunicações, tão vital para o futuro de qualquer nação. Com seus modernos satélites, que permitem o recebimento e a transmissão de imagens e sons em todo o mundo, os EUA controlam 35% do mercado mundial de telecomunicações. O Japão controla 11% e os países da Europa Ocidental, 25%. Nesse grupo de países estão instalados os mais importantes centos de comunicação por satélite que permitem obter imagens instantâneas e nítidas de eventos realizados em qualquer parte do mundo. Por isso, a sociedade moderna atual, com a globalização e a revolução técnico-cientifica, é conhecida como a sociedade da informação. Em suma, o mundo nunca foi tão pequeno, ou melhor, tão interligado, e as distâncias já não dão um grande obstáculo. A indústria das telecomunicações vive uma expansão sem precedentes somada ao barateamento e à popularização da informática. Só que o mundo não ficou “pequeno” para todos. Existem hoje cerca de um pouco mais de 1 bilhão de telefones fixos e mais de 700 milhões de celulares para uma população mundial de cerca de 7 bilhões. Grande parte da África tem menos de 30 linhas telefônicas fixas para cada grupo de mil habitantes. A internet bem desenvolvida e acessível a praticamente toda a população se encontra na América do Norte, Europa Ocidental, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Nos países subdesenvolvidos esse acesso é bastante limitado e caro. O Brasil apresenta números bem melhores que os países subdesenvolvidos, mas está muito longe dos países desenvolvidos. O uso da internet e de telefones se encontra na média de 200 para cada grupo de mil habitantes. Esses serviços são ainda muito caros no Brasil, principalmente a internet que nos países desenvolvidos é gratuita. (Adaptado de Vesentini, José William. Geografia: o mundo em transição, volume 1 – p.100-10; e volume 3, p.52-58).

2 comentários:

  1. Manu pesquisando sobre Transporte: Tipos de industrialização, contribuição científica e tecnológica.

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